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Vamos marcar um café?

Que lugar você reserva para si no seu dia?

Por: Joselene Alvim
21/09/2026 às 08:05
café
café Foto: Eva MichalKova - Pixabay

“Vamos marcar um café no final de semana?” 

Certamente já ouviu esta frase. E se não foi você quem fez a proposta, ouviu o convite de alguém. Em algumas vezes, você confirmou e achou a ideia ótima!Mas a semana passa e, daí surge a mensagem, que pode ter partido de você ou da outra pessoa, cancelando o encontro devido a um imprevisto. Adiam para a semana seguinte, mas sem uma data específica. E ninguém fala mais nisso. Passam-se meses. Curiosamente, o convite continua de pé. Ninguém desistiu. Só não existe o encontro.

Conhece esse enredo? Claro!

Cancelar ou adiar um encontro nem sempre significa falta de interesse. Há pessoas que, devido à sobrecarga de afazeres, não conseguem transformar a intenção em ação.  Por outro lado, também há aquelas que aceitam o convite por educação, embora não tenham a mínima intenção de colocá-lo em prática. 

De qualquer forma, a vida adulta é cheia de afazeres, responsabilidades e desafios: trabalho, família, tarefas domésticas e imprevistos. Há dias em que as 24 horas parecem não ser suficientes. A pressa parece ter-se tornado uma norma em uma cultura que valoriza a produtividade e a urgência. Tudo para ontem. 

O pior é que, nesse cenário, muitas vezes não nos damos conta das consequências negativas. A falta de tempo para um café é uma delas. Entretanto, não é o café em si, pois ele sequestraria apenas meia hora ou uma hora do tempo entre um compromisso e outro. Mas cadê o tempo? 

Por isso, o assunto deixa de ser sobre o café e passa a ser sobre prioridades. Você já parou para pensar qual é o lugar que você reserva para si no seu dia? O que você faz quando sobra um tempo? Certamente preenche-o com algo que ficou pendente. 

Existe a ideia de que é possível deixar para depois aquele livro que queremos ler, o passeio, o encontro com amigos, o café! Talvez, naquele momento, não seja possível mesmo. Mas é preciso ficar atento para à frequência com que isso acontece. Deixar para depois aquilo que se deseja vem acompanhado da sensação, muitas vezes fantasiosa, de que teremos tempo.

O tempo para o café não vai surgir magicamente. Se não fizermos um movimento, o desejo ficará apenas no campo das ideias. Reservar espaço para atender aos nossos desejos não significa abdicar totalmente das exigências diárias ou ignorar o futuro, mas compreender a importância de direcionar nossa rotina também para o lazer. 

A pressa não é apenas inimiga da perfeição, como diz o ditado. Ela também pode ser inimiga da saúde mental e do nosso bem-estar. É preciso reconhecer que colocar em prática aquilo que nos faz bem é uma necessidade indispensável e deve fazer parte das coisas que consideramos importantes. 

Então, sobre aquele café, que tal sair da intenção e ir ao encontro?

 

 

 

 Joselene Alvim
Joselene Alvim
Jô Alvim é psicóloga clínica. Mestre em Educação (UNESP). Especialista em Neuropsicologia (USP). Apaixonada por comportamento, é professora de graduação e pós-graduação.